1º SEMESTRE

2º SEMESTRE

I READ THE NEWS TODAY, OH BOY

MODOS DE VER A DUALIDADE VELHO/NOVO MUNDO (NOTÍCIAS/(NEWS)FEED)

DESIGN DE COMUNICAÇÃO V

I read the news today, oh boy, expressão retirada de “A Day in the Life”, canção dos Beatles de 1967, foi o título e o mote metodológico para o primeiro projecto de Design de Comunicação V, que, na chamada era da pós-verdade, nos permitiu observar a forma como o nosso quotidiano e a nossa leitura do mundo (ainda) são construídos pelas notícias que lemos (sabendo nós que esta afirmação pode ser transposta para uma questão, de imediato). A nossa leitura dos eventos (e com estes, a nossa apreensão da realidade) constrói-se hoje tendo por base um dilema: entre o tempo imerso no ecrã e em feeds de redes sociais, e o tempo dedicado à leitura de notícias (pelas estruturas oficiais, vulgo jornalismo ou “o quarto poder”). Esta dicotomia esteve na base do desenvolvimento do projecto, onde se procurou investigar como é que as modalidades de recepção das notícias informam e moldam a nossa consciência do presente.

O primeiro acto deste projecto (Performing the Feed I), concretizou-se na forma de uma apresentação pública em aula, onde cada aluno comunicou as ‘headlines’ seleccionadas a partir de uma notícia proveniente de um jornal ou revista impressos ou de um post extraído de um feed das suas redes sociais. Essa apresentação foi complementada com o desenho de uma primeira página de um jornal de parede, exibido no espaço da faculdade. O conjunto das notícias recolhidas pretendeu traçar uma cartografia dos modos de ver o mundo a partir das notícias e do filtro que é construído pelo olhar dos alunos.

Num segundo acto (Performing the Feed II), deu-se continuidade à investigação, com os alunos a prosseguirem o desenvolvimento, contexto e evidências em torno das suas notícias, adicionando-lhe outros elementos complementares. Para tal, propôs-se um objecto de comunicação/distribuição dos conteúdos gerados, cuja estrutura e formalização considerasse os dilemas de leitura deep read/scroll down, notícia impressa/(feed)post, tendo os alunos optado por um meio impresso (velho paradigma de publicação / booklet) ou por um meio digital (novo paradigma de publicação), através de um perfil ou página em rede social.

António Nicolas e Sofia Gonçalves

INNER CITY BLUES
(MAKE ME WANNA HOLLER)

DESIGN DE COMUNICAÇÃO V

O projeto Inner City Blues (título retirado de uma canção de Marvin Gaye, de 1971) pretendeu sinalizar e desenvolver um conjunto diversificado de olhares sobre o espaço urbano e os seus fenómenos sociais, procurando-se definir um novo imaginário e uma nova consciência crítica do lugar e do mundo retratado. Para além das arquitecturas e para além do desenho reconhecível que compõe o cenário habitual das cidades, existem outros “sinais” (história, acontecimentos, memória, imagens, pessoas, ficções...) que se interpretam e se descodificam, como uma trama silenciosa que percorre o mapa, o desenho e o registo visual dos lugares.

Numa primeira parte do projecto (‘História de um fotógrafo’ – factos e provas de contacto da cidade) sugeriu-se a concepção e a construção de um registo fotográfico, tendo como ponto de partida a descoberta e o reconhecimento de acontecimentos ou eventos que marcam a actualidade e passíveis de documentar a nossa realidade ou de (re)contruir a nossa memória do mundo. Para tal, explorou-se a construção de narrativas visuais a partir de um conjunto de registos fotográficos originais, organizados depois numa série fotográfica a que se acrescentaram desenhos e textos e, numa fase final, apresentados num mural gráfico.

O segundo momento projectual (Travellings), concretizou-se na forma de um registo audiovisual, que deu continuidade às referências e às diversas interpretações e narrativas visuais anteriormente observadas por cada aluno: o facto ou acontecimento marcante associado a um percurso do espaço urbano, a caracterização muito particular dos fluxos contínuos da cidade, o cidadão/protagonista do espaço da rua ou ainda, a ocupação impositiva e mobilizadora de uma qualquer manifestação política e reivindicativa. Temas e motivos de diferentes realidades, sujeitos ao inesperado da presença e da performance humana e que na forma audiovisual, foram traduzidos e exponenciados pelo som e movimento.

António Nicolas e Sofia Gonçalves

HELTER SKELTER:
SLEEP NOW IN THE FIRE

DESIGN DE COMUNICAÇÃO V

Os projetos editoriais que resultam deste enunciado sobre publicações periódicas, devolvem-nos algumas perspetivas particulares ou problemáticas da realidade contemporânea. Propunha-se um projeto de comunicação visual que visava explorar o papel do designer como autor/editor, que coordena a pesquisa, seleção e apresentação de conteúdos em diferentes contextos editoriais.

Foram propostos dois grandes núcleos temáticos para este projecto editorial. A saber:

1) Agenda mediática ou o “furo jornalístico”: os temas na “ordem do dia” – tensões políticas; politicamente correcto ou a polarização dos discursos; questões de representatividade, colonialismo e descolonização, empoderamento: raça, género, identidades sexuais, geração; crise, migrações, populismos, separatismos e extremismos.

2) Breaking news: quando o jornalismo é a notícia — o Quarto Poder; digital storytelling e novas práticas para o jornalismo de investigação; jornalismo e design; pós-verdade (fake news vs. fact checking); the people vs. the newspapers (cidadão-jornalista, media).

Cada temática foi escolhida e desenvolvida por diferentes grupos de trabalho, a partir de referências diretas (fotografias, textos, documentos, etc.), contextuais e ficcionais (literatura, cinema, jornalismo, artes, etc.). Com base no desenvolvimento e nos resultados das pesquisas efetuadas, propôs-se o desenho de uma publicação periódica multimédia (multivolume) ou monovolume, a que se associou um site e diversos materiais gráficos.

António Nicolas e Sofia Gonçalves

COM UM LIVRO FAÇO UM LIVRO

DESIGN DE EDIÇÃO

“Com um livro faço um livro” propõe a aplicação do conceito de “escrita visual” à reedição de uma obra seleccionada pelo aluno. Através da exploração dos recursos gráficos e materiais do livro, pretende-se criar um objecto que possa traduzir e expandir graficamente o sentido original do texto, assumindo-se, pelo design, um elemento significante da narrativa.

Sofia Rodrigues

PLÁSTICO

DESIGN DE EDIÇÃO

“Plástico” tem como objectivo principal a criação de iniciativas editoriais e publicações originais que contribuam para uma reflexão ou debate contemporâneo sobre o plástico nas suas múltiplas dimensões. Estas publicações poderão ser tanto de índole informativa, crítica e engajada, como também de natureza contemplativa, lúdica e poética. O(s) objecto(s) resultante(s) destas iniciativas editoriais deverão explorar os diversos usos e ambições de uma publicação: do artefacto multissensorial de leitura íntima ao panfleto político emitido em massa.​

Sofia Rodrigues

THAT DANCING CONE CUTTING A HOLE IN THE DARK LIKE A LASER BEAM

STORYBOARDS DE UM CINÉFILO PARA UM ELOGIO À FICÇÃO

DESIGN DE COMUNICAÇÃO VI

A par com a literatura, o cinema é das práticas artísticas que tem explorado de forma mais sistemática os limites difusos ou as relações complexas entre realidade e ficção. No projeto That dancing cone cutting a hole in the dark like a laser beam (título adaptado do texto de Roland Barthes (1975), ‘Leaving the Movie Theater’) como aprendizes nos meandros da ficção, observámos o cinema e dele recolhemos estratégias possíveis para enfrentar a complexa “escrita” ficcional. Mediante a selecção de um filme, indicado a partir de uma extensa cinematografia disponibilizada pelo enunciado do projecto, cada aluno desenvolveu um ensaio verbal-visual que demonstrava a sua interpretação ou perspectiva crítica em torno do seu objeto cinematográfico. Como um “Storyboard do espectador/cinéfilo”, este objeto editorial apresentado na forma de um jornal de parede, era composto por dois canais de comunicação que corriam em paralelo: uma sequência de imagens (fotogramas do filme, não necessariamente em ordem linear) e um texto original, que conduzia a sequência visual e revelava a interpretação que cada aluno construiu. Com este modelo de escrita, nunca se aspirou a uma descrição ou contextualização do filme ou do realizador. Procurámos antes dar expressão ao olhar do aluno perante as particularidades, revelações e subtilezas de cada filme, assinalando o seu contributo à ideia de ficção (como se constrói, com que álibis, com que objetivo, o que nos revela sobre a nossa própria realidade, como é que a contrapõe, como é que se constrói uma ficção sobre a ficção, entre outras aproximações possíveis).

António Nicolas e Sofia Gonçalves

A COLLISION BETWEEN A STREAM OF LIGHT AND AN OBSTACLE

CONSTRUIR FICÇÕES EM/DE DESIGN — UMA HIPÓTESE

DESIGN DE COMUNICAÇÃO VI

A ficção permite-nos construir cenários inexplorados, ou por explorar convenientemente, oferecendo-nos no retorno a possibilidade de tomarmos consciência ou de nos tornarmos sensíveis a uma determinada realidade. A ficção é uma prática e transforma as práticas que a empregam. Não se utiliza acidentalmente a ficção; usa-se a ficção de forma premeditada.

A collision between a stream of light and a obstacle propôs a construção de ficções e, como consequência, equacionou os limites do design de comunicação enquanto disciplina e prática.

Partimos da tradição e prática criativa da adaptação ao universo da cultura projetual em design, construindo ficções a partir de adaptações dos filmes que serviram de ponto de partida ao projeto That dancing cone cutting a hole in the dark like a laser beam. Sabemos que contar uma história ficcional por palavras, seja oralmente ou por escrito, nunca corresponde, em exata medida, a uma narrativa visual, sonora ou audiovisual. Criar ficção a partir dos processos, metodologias, linguagens, códigos e suportes do design de comunicação não é exceção.

Cada nova ficção foi experienciada ou comunicada a partir de um conjunto de artefactos, e manifestações, seleccionados por cada grupo, mediante um entendimento sustentado da narrativa criada. Tendo em consideração a situação criada pela pandemia, que impõe condições particulares de transmissão e difusão da produção, foram sugeridas algumas possibilidades para o “objecto(s) da ficção” criada: produção editorial (ePub/browser-based publications e websites), produção audiovisual, modelos de ensino-aprendizagem à distância (como conferências, seminários e workshops encenados, etc.), programação cultural (tertúlias, concertos, performances), entre outros.

Outros elementos, como o conjunto de curtas metragens “Gabinetes de ficção”, configuraram-se como extensões ou variações da ficção coletiva e permitiram que a ficção gerada voltasse aos registos temporais, aos códigos e linguagens do audiovisual. Um objeto editorial, que denominámos genericamente de “Manual de Produção”, acompanhou o processo temporal de feitura da ficção e continha os seguintes registos: a adaptação do filme selecionado; o diário do processo criativo, com as deambulações e dilemas da ficção durante a sua construção, bem como, afinidades, influências bibliográficas e projetuais; uma panorâmica da ficção criada, incluindo sinopse textual, bem como outros elementos que se considerassem essenciais para o entendimento da proposta. Por último, a ficção, todos os seus registos eram comunicados numa página web, a plataforma documental do projecto.

O projeto permitiu (re)considerar e abordar conceitos como design especulativo ou design fiction. Mas para além de explorar jargões contemporâneos da nossa prática, o maior contributo dos projetos desenvolvidos pelos alunos proveio do risco – aquele que decorre da consequente expansão das possibilidades de articulação da ficção com o design quando este reconhece as tradições consolidadas da literatura e do cinema (identificando os seus mecanismos, adaptando as suas práticas, interpretando os seus resultados), e quando se encoraja a colisão destes universos criativos.

António Nicolas e Sofia Gonçalves