INFORMAÇÃO HOJE
Mercedes Alves

Na era digital, o jornalismo e a informação estarão ameaçados por um scroll infinito que potencia a difusão de dados rápidos e superficiais? Afinal, onde está a verdade quando mais precisamos dela?

A forma como recebemos informação alterou-se. Antes da era digital, os jornais eram soberanos: a informação era sinónimo de jornais, os jornais eram a informação. Na validação e transmissão dos factos, a profissão de jornalista era soberana. Agora “the news on Facebook is what Facebook says it is”. O jornalismo e a informação parecem ameaçados pelas potências corporativas do Facebook, Twitter, WhatsApp e Instagram e as fake news são só um dos muitos fenómenos a que estamos expostos enquanto utilizadores.

Em 2017, já havia redes sociais há uma década. Não foi preciso muito tempo para se alterar o paradigma da comunicação, mas foi o tempo suficiente para uma geração não conhecer outro formato. Entre aqueles que cresceram a ler jornais instalou-se uma espécie de pânico ao confrontarem-se com um novo sistema que pareceu emergir do nada. A informação democratizou-se com as redes sociais: um acontecimento libertador e inovador, mas igualmente perigoso. A partir do momento em que qualquer um pode ser jornalista e transmitir as suas ideias para uma plateia global, o jornalismo revela dificuldades em adaptar-se a este novo paradigma.