(1) ZERO TO INFINITY
Margarida Coelho

Somos fruto do que observamos, do que aprendemos e das ligações que estabelecemos, das mais simples às mais complexas. Somos reflexos constantes de nós e dos outros. Somos múltiplos dos múltiplos, reflexos, frações, refrações. As possibilidades não têm fim e dependem de cada um de nós, dos nossos sonhos, dos nossos desejos, das nossas inquietações, frustrações ou ambições, particularmente quando com elas confrontados. Estamos, portanto, perante um ideia de infinitude pertencente a um sistema complexo que se encontra no íntimo da nossa consciência. É com base nesta ideia de infinito que se desenvolveu esta pequena ficção. Nela, o espelho é um veículo que permite ultrapassar as aparências, e que faz transitar as representações passivas para um local onde tudo se torna possível, um espaço eminentemente transcendente que coloca o ser humano à mercê da sua própria pequenez.