ANYWHERE, EVERYWHERE
Ana Sofia Rodrigues / Ana Luísa Santos

Desde a segunda metade do último século, não só aumentaram o tipo e o número de tecnologias de vigilância, como os espaços e pessoas a serem monitorizados. Esta monitorização é agora uma constante, sendo o produto dessa observação um registo contínuo das atividades quotidianas, em tempos atribuído a uma esfera privada. Nas condições que atravessamos, tornou-se imprescindível fomentar o debate entre a vigilância cujo propósito é garantir a segurança e aquela cujo objetivo é promover o controlo. O sujeito vigiado é monitorizado com um determinado propósito: disciplinar para um certo tipo de comportamento ou conjunto de normas sociais; mas também – e possivelmente em simultâneo – proteger o próprio indivíduo.

O termo vigilância associa-se frequentemente a câmaras de circuitos televisivos fechados (CCTV) colocados em centros de cidades e outros espaços (aeroportos, autoestradas, locais de trabalho). No entanto, esta designação surgiu muito antes da emergência de uma vigilância eletrónica pública (e crescentemente privada). Devido a alterações tecnológicas radicais nas tecnologias de comunicação desde os anos 1960, o termo vigilância tem alargado o seu significado e campo de aplicação. O crescente desenvolvimento das tecnologias de vigilância conduziu a uma proliferação de dispositivos de registo de imagem, de tipologia diversa, aos quais correspondem diferentes graus de sofisticação. Necessariamente, estes diferentes dispositivos irão gerar imagens, de natureza também plural, mais ou menos sofisticadas. Estamos na presença de um arquivo visual em potência, uma pegada que vem sendo construída, e onde o léxico imagético é extremamente amplo, díspar e, por vezes, confuso.