(C) HALLUCINATIONS
Carolina Vieira

(C) Este é um eu que nunca fui, não me reconheço e não mais sei quem sou. Já me perdi... pois já não me vejo a mim mesmo. Fiquei sem rosto, sem expressão, serei assim para sempre um homem incompleto.

(1) Para ti nada mais existe do que a aparência e a superficialidade, por isso ficaste sem face, pois a tua essência está no interior... e tu nunca a achaste. Mostrei-te apenas aquilo que vieste ver. A verdade.

O espelho revela aquilo que, sem ele, não conseguimos ver. Mas nem tudo o que mostra é real. Aqui somos levados com o personagem (C) a um estado de alucinação. Vemos coisas que não existem na realidade, coisas que levam (C) às profundezas do desespero. Perdendo aos poucos aquilo que tomava por garantido, as alucinações que o atormentam tornam-se cada vez mais nítidas, mais reais. Porém, a sua sede de voltar a ver torna-o, ironicamente, cada vez mais cego. Numa busca incessante de se recuperar a si mesmo, à sua visão e ao mundo que outrora conhecia, somos guiados por um labirinto em busca da verdade.