SOBRA URBANA
Carolina Aguiar

A chegada da extrema-direita ao parlamento português – que se constrói em sintonia com uma crescente emergência da extrema-direita nos círculos governamentais europeus – transporta consigo um discurso marcadamente segregador, xenófobo e racista: um discurso de ódio, que tem o poder de empurrar muitos para a margem.

Em contraponto, olhando-se para o ambiente urbano da cidade de Lisboa, procura-se a sua multiculturalidade. Encontram-se rastos de diversidade; encontram-se práticas distintas; encontram-se tradições variadas; encontram-se comunidades. Encontram-se, sobretudo, pessoas – pessoas que pertencem a este lugar. Contudo, na atmosfera política que se vive em Portugal e na Europa, crescem os nacionalismos e as exclusões sócio-raciais; cresce o ódio; cresce o medo. Face a este confronto iminente, em que posição são deixadas as pessoas e comunidades que a câmara captura?