PARCAE
Ana Margarida Cardoso / Inês Gonçalves / Iolanda Tavares / Rita Pereira

E SE SOUBÉSSEMOS O DIA DA NOSSA MORTE?
CONTINUARÍAMOS A VIVER COMO MORTAIS?

Imagine-se uma sociedade onde as pessoas teriam consciência do dia da sua morte, uma data marcada desde o início que condicionaria indelevelmente as suas vidas. Como é que viveríamos? Daríamos maior valor à vida? Tentaríamos aproveitá-la ao máximo sem restrições? Ou pelo contrário, definiríamos todos os seus momentos ao pormenor? Será que continuávamos a sonhar e a desejar o futuro?

Neste projeto de design especulativo, imagina-se uma sociedade fictícia marcada por um ritual: denominámo-lo de PARCAE. Este é o seu enredo: diariamente são lançadas para o espaço milhares de cápsulas, cada uma com sete passageiros. Todas têm o mesmo destino: a morte. Em PARCAE, cada um dos seus passageiros tem apenas 24 horas para se lançarem nas suas últimas reflexões acerca do sentido da vida e do sentido da morte.

PARCAE propõe então refletir sobre a maior utopia da humanidade e coloca-nos perante uma das maiores questões existenciais: será que conhecer o dia da própria morte se constituiria como a maior libertação do ser humano? À semelhança do filme Solaris (1972), de Andrei Tarkovsky, esta ficção desconstrói a ficção científica que se legitima pela simples conquista do espaço. Aqui, o universo é espaço de reflexão, quer para os sete passageiros que em breve se desmaterializarão, quer para o oitavo – o ouvinte do podcast que dá corpo à narrativa – também ele limitado por este mesmo universo e imbuído da mesma condição de mortal.

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